sábado, 25 de julho de 2015

Thalles é o menor problema da igreja brasileira



Esses dias o feed do Facebook da maioria dos evangélicos brasileiros foi tomado por críticas e mais críticas ao cantor Thalles Roberto, devido a sua decisão de "ir" para o mundo cantar para ser "luz" depois de receber uma "revelação" direta de "deus", vulgo seu próprio ego. Não vou aqui perder tempo falando sobre sua arrogância, prepotência, sua cosmovisão totalmente errada, suas loucuras e histórias sobre o mal cheiro que sinto quando esse homem abre sua boca. Isso muitos já estão fazendo.

E realmente muitos estão fazendo mesmo! É quase unânime. Quase todos estão falando da mesma coisa, como se estivessem todos no mesmo time ou pensassem da mesma forma (e graças a Deus que pelo menos nisso, pensamos igual). É exatamente esse o ponto no qual quero chegar: O Thalles Roberto é o menor problema da igreja evangélica brasileira atual. Não me preocupo tanto com o que o Thalles diz ou deixa de dizer. Não me preocupo tanto com o que o Bispo Macedo diz ou deixa de dizer, dentre outros... Acredito que há coisas muito mais preocupantes em nosso meio. Não adianta levar palhaços a sério. Deixemos eles em seus circos divertindo suas crianças, pois é isso mesmo que elas querem. Não estou dizendo que não devemos nos importar, mas às vezes tapamos nossos olhos para problemas bem mais sérios porque estamos nos divertindo em criticar outras crianças.

O meu ponto é que tem gente que crê numa graça barata, gente que desmerece a pregação do evangelho trazendo um olhar totalmente marxista para o cristianismo, gente que odeia o estudo teológico aprofundado das Escrituras, gente que não se satisfaz somente com a Palavra de Deus também está criticando o Thalles. E é isso que é o mais preocupante. A Bíblia tem saído das igrejas há muito tempo, mas só conseguem se importar com a saída do Thalles. Me preocupo com tanta igreja cedendo ao liberalismo teológico, aceitando ordenação de pastoras, abrindo espaço cada vez mais pra Teologia da Missão Integral e daqui a um tempo (como aconteceu nos EUA) tornando a presença de pastores gays cada vez mais hegemônica. Isso tudo devido à desvalorização de algo "simples": a Bíblia. A Bíblia tem sido atacada, mas ninguém se importa. Muitos jovens cristãos que estão criticando o Thalles são os mesmos que criticam outros jovens que se empenham no estudo teológico. 

Até quando vamos viver assim? Nos escandalizando quando um cantorzinho que prega mais a si mesmo do que a Cristo deixa de ser gospel, enquanto muitos estão fugindo veementemente da centralidade das Escrituras e nem sentimos falta? O pecado latente no evangelicalismo brasileiro, a escassez doutrinária, a onda marxista e a libertinagem da "graça" andam tão impunes e nem mesmo notamos! Quando alguns gritam para alertar as demais ovelhas, são rejeitados. "Quanta besteira", dizem. "Isso não é nada". Desculpem-me, mas antes de chamarem o Thalles de antibíblico, deveriam ao menos procurarem ser bíblicos. Veja o que A. W. Tozer disse a respeito disso:


"Não é uma coisa esquisita e um espanto que, com a sombra da destruição atômica pendendo sobre o mundo e com a vinda de Cristo estando próxima, os seguidores professos do Senhor se entreguem a divertimentos religiosos? Que numa hora em que há tão desesperada necessidade de santos amadurecidos, numerosos crentes voltem para a criancice espiritual e clamem por brinquedos religiosos?"


Parabéns aos pastores, líderes e membros de igrejas que são fieis à Palavra de Deus e a estimam tanto quanto ao próprio Deus. Estes sim podem olhar para problemas infantis e criticarem com toda propriedade, por tanto lutarem para que problemas muito mais graves deixem de existir nas nossas igrejas. Encerro com as palavras do apóstolo Paulo aos Coríntios, que ao ver tanta impureza, percebia que não havia nem lamento por isso:


"Geralmente se ouve que há entre vós fornicação, e fornicação tal, que nem ainda entre os gentios se nomeia, como é haver quem possua a mulher de seu pai. Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação". - 1 Coríntios 5:1,2

Fonte: http://bereianos.blogspot.com.br/2015/07/thalles-e-o-menor-problema-da-igreja.html#.VbPqOrNVikq


domingo, 19 de julho de 2015

Os 07 principais erros do louvor neopentecostal

Assim como fiz no texto anterior, (aqui) ao afirmar que acredito que muitos pastores neopentecostais não agem de má fé em defender seus pressupostos teológicos, julgo importante também afirmar que acredito que boa parte dos líderes de música das igrejas neopentecostais  amam a Cristo e desejam de servi-lo com integridade, honestidade e compromisso. Entretanto, em virtude do desconhecimento das Escrituras, além é claro de não terem sido qualificados biblicamente por seus pastores para o ministério de louvor em suas igrejas, cometem erros crassos, os quais tem contribuído com o adoecimento de parte da igreja, como também com  uma  visão equivocada do Cristianismo.

Ressalto também que o propósito deste texto não é criticar ritmos, estilo e forma de louvor, mesmo porque, creio num louvor multicultural, diferenciado por aspectos culturais distintos, cujo objetivo final seja a glória de Deus.

Isto posto, afirmo que proposta desta reflexão é avaliar à luz da Bíblia e da Teologia os sete erros mais comuns cometidos pelos irmãos neopentecostais na condução do período de louvor com música nas mais variadas igrejas no Brasil.

 1-) A valorização da música em detrimento a pregação da Palavra

Boa parte dos denominados cultos evangélicos dedicam muito mais tempo a música do que qualquer outra coisa. Outro dia fiz uma pesquisa no BLOG tentando descobrir a opinião dos leitores quanto aquilo que seja mais importante num culto. Na ocasião eu ofereci duas opções clássicas, isto é, o louvor e a Palavra. Para minha surpresa mais de 60% dos leitores responderam dizendo que o louvor era mais importante. 

Caro leitor, ao contrário dos adeptos do movimento gospel brasileiro, o reformador francês João Calvino via a pregação do evangelho como o centro da vida e obra da igreja. Ele cria que a pregação era central na igreja porque ela era o modo de Deus salvar o Seu povo, até o ponto dele se considerar também um ouvinte: "Quando eu subo ao púlpito não é para ensinar os outros somente. Eu não me retiro aparte, visto que eu devo ser um estudante, e a Palavra que procede da minha boca deve servir para mim assim como para você, ou ela será o pior para mim. ", dizia ele.

Para Calvino a pregação da Palavra era um meio de graça para o povo de Deus - “Quando nos reunimos em nome de Deus”, ele dizia, “não é para ouvir meros cânticos" (diferentemente da nossa geração que valoriza extravagantemente o momento de louvor). Para Calvino, os que desenvolviam tais práticas se alimentavam exclusivamente de vento. Além disso, Calvino cria que a pregação deveria ser “sem exibição”, para que o povo de Deus pudesse reconhecer nela a Palavra de Deus e para que o próprio Deus, e não o pregador pudesse ser honrado e obedecido.

 2-) Antropocentrismo cúltico

 Infelizmente os louvores cantados em nossas reuniões são extremamente antropocêntricos, o que nitidamente se percebe em nossos encontros congregacionais. Se fizermos uma análise de nossas liturgias chegaremos a conclusão que boa parte das canções que entoamos são feitas na primeira pessoa do singular, cujas letras prioritariamente reivindicam as bênçãos de Deus.

Pois é, numa liturgia preponderantemente hedonista, os evangélicos tem feito da música um instrumento de sensibilização a Deus onde objetivo final são as bênçãos do Senhor.

Caro leitor, sem sombra de dúvidas vivemos dias complicadíssimos onde o Todo-poderoso foi transformado em gênio da lâmpada mágica, cuja missão prioritária é promover satisfação aos crentes. Diante disto, precisamos orar ao Senhor pedindo a Ele que nos livre definitivamente desse louvor, filho bastardo da indústria mercantilista gospel, o qual nos tem nos empurrado goela abaixo, conceitos e valores anticristãos cujo objetivo final não é a glória de Deus, mas satisfação dos homens. Da mesma maneira, necessitamos clamar ao Pai pedindo-o que nos liberte do louvor engessado, feito de cabeças baixas e bocas carrancudas, de letras difíceis, de músicas duras, sejam elas importadas ou brasileiras. 

3) Entretenimento litúrgico 

A Igreja não foi chamada por Cristo para promover entretenimento. Charles Spurgeon, um dos maiores pregadores de todos os tempos, afirmou há quase 150 anos, que o adversário das nossas almas tem agido como o fermento, levedando toda a massa. Segundo o príncipe dos pregadores o diabo criou algo mais perspicaz do que sugerir à Igreja que parte de sua missão é prover entretenimento para as pessoas, com vistas a ganhá-las. Spurgeon afirmou que a igreja de Cristo não tinha por obrigação promover entretenimento àqueles que a igreja visitava. Antes pelo contrário, o Evangelho com todas as suas implicações precisava ser pregado de forma simples e objetiva. Todavia, em nossos dias, boa parte dos nossos jovens se reúnem com o propósito exclusivo de se divertir. Para tanto, usam do nome de Deus, fazendo do Criador um tipo de animador onde o que importa no final é a satisfação pessoal. Diante disto, não tenho a menor dúvida que os que agem desta maneira desobedecem escancaradamente ao sétimo mandamento, que é tomar o nome do Senhor nosso Deus em vão. Isto afirmo pelo fato de que as estruturas criadas para alegria de nossos jovens não visam a glória de Deus e sim a satisfação humana. Na verdade os eventos gospel usam o nome de Deus de forma interesseira e egoísta, fazendo dele o protagonista de nossas diversões pessoais.

4- A "pregação" em meio ao louvor

Boa parte dos louvores neopentecostais são intercalados com curtas palavras e pregações que muitas  vezes visam defender a teologia da prosperidade e a confissão positiva. Nessa perspectiva é comum aos condutores  de período de louvor incentivarem aos irmãos a desenvolverem uma espiritualidade focada na satisfação pessoal. Ora, ao contrário do que temos visto e aprendido, o período de louvor com música não foi criado para a nossa alegria e plenitude. Muito pelo contrário, a adoração na "comnnunion Sanctos" visa exclusivamente a glória de Deus.

5- Músicas com letras desprovidas de boa teologia e fundamentos bíblicos

Essa talvez seja uma da principais características dos louvores neopentecostais. Veja bem, vale a pena ressaltar que boa parte dos cantores neopentecostais não compõem canções equivocadas teologicamente por aqui assim desejam. Não. Não o fazem. Na verdade as composições distorcidas de boa teologia se deve ao fato dos músicos não receberem da parte de seus pastores ensinos centrados nas Escrituras.

6- Músicas cujas letras estão desprovidas de doutrinas fundamentais a fé cristã

Uma dos erros mais comuns do louvor neopentecostal é não cantar a sã doutrina. Nessa perspectiva é comum não encontrarmos em nossas letras, ênfases a doutrinas como salvação pela graça mediante a fé em Cristo Jesus, perdão de pecados, arrependimento, volta de Cristo e vida eterna.

7- Ausência de foco na glória de Deus.

Uma das características do louvor pentecostal é o bem estar do homem e não a glória de Deus. Nessa perspectiva as canções cantadas, os louvores entoados ou até as ministrações variadas são eminentemente focadas no brilhantismo humano esquecendo portanto que tudo aquilo que fazemos deve ser feito para a glória de Deus.

Volta as Escrituras:

Penso que os excelentes músicos neopentecostais se regressarem as Escrituras e permitirem com que a Palavra de Deus norteie suas vidas e ministérios a Igreja evangélica brasileira será ricamente abençoada. Acredito que mais do que nunca necessitamos regressar as Escrituras, cantar as Escrituras, bem como viver as Escrituras.

O reformador João Calvino costumava dizer que o verdadeiro conhecimento de Deus está na Bíblia, e de que ela é o escudo que nos protege do erro. Em tempos difíceis como o nosso, precisamos regressar à Palavra de Deus, fazendo dela nossa única regra de fé, prática e comportamento.

Soli Deo Gloria,

Renato Vargens